
Para alguns, antes mesmo desse texto acabar, logo poderá vir a pergunta: “Ué, você não come carne?”. Sim, meu amigo, como carne e adoro, principalmente costela no bafo. Mas quero chamar a atenção para a forma como lidamos com os animais que servem de diversão para o povo, principalmente, o cavalo e o boi que são atração nas festas de rodeio.
Basicamente, a diferença entre um boi de confinamento e aquele usado em festas de rodeio é que o segundo morre sob tortura, enquanto muitos se divertem. Por trás dessa diversão há, obviamente, aqueles que lucram. Assim, a TV divulga a festa que é patrocinada pelos principais anunciantes; a cidade recebe tributos de ISS sob cada cerveja que é vendida; os organizadores recebem verbas dos patrocinadores e dos ingressos; o peão que castiga o animal recebe dinheiro, carro ou moto; o povo recebe diversão; e o único que não ganha nada é o boi ou cavalo. Ops! Desculpem-me. Ganha sim. Recebe de presente uma tira de couro atada firmemente em seus testículos para que dê “saltos fabulosos”.
A prática do povo reunir-se em arena para divertir-se por meio da desgraça alheia não é nova. Remete-nos à época da Grécia antiga, onde, gladiadores se engalfinhavam até a morte. Um pouco mais tarde foi a vez da Roma antiga mostrar que também sabia propiciar diversão ao povo e já que possuíam alguns desafetos políticos (chamados cristãos) que ameaçavam a “ordem nacional”, por quê não jogá-los aos leões? E assim são os rodeios, touradas, “farras do boi”, espetáculos circenses ou aquáticos que acontecem pelo mundo afora.
Para alguns, a explicação é simples: “O animal vai morrer mesmo porque afinal todo mundo come carne. Mas as pessoas também gostam de se divertir com o perigo, afinal peões ou toureiros também correm o risco de ter um pescoço quebrado ou levarem uma chifrada. Por quê não unir tudo isso em uma arena onde podemos ganhar muito dinheiro”, pensam os organizadores.
Do lado da imprensa em geral é muito fácil ludibriar aqueles que forem contra, como é o caso do autor desse texto. É só falar ao público que o rodeio gera empregos, renda para a cidade e vários outros benefícios. Mas pergunto para os defensores do rodeio. Será que não há uma outra maneira de empregarmos essas pessoas? É necessário que seja às custas da tortura de um animal?
Pegando a linha do raciocínio dos defensores do rodeio pergunto ainda: Por quê então não oficializarmos as rinhas de galo? Ser chiques como os ingleses e criar um 'Dia de caça à raposa no Brasil´? Ou então profissionalizar a amarração de latinhas em rabos de cachorro? Qual é a diferença para os rodeios?
E quanto àquele boi de confinamento que morreu lá no matadouro com uma paulada só na cabeça? Vamos parar com isso? Bem, assim como tentar domar um leão para que se torne vegetariano, acho que o homem não está preparado para deixar a carne totalmente de lado e viver só de mato. Nosso corpo foi educado com esse alimento e deixar essa proteína totalmente de lado, de uma só vez, deve ter algum impacto em nossos organismos. Mas se vamos comer carne, seja do boi, do peixe, ou de um simples camarãozinho na praia, então que façamos com dignidade. Qual o motivo de torturá-los até à morte?
Uma vez, um certo homem soltou a célebre frase: “Um dia o homem conhecerá o íntimo de um animal e, nesse dia, todo o crime contra um animal será um crime contra a humanidade". Esse homem, apesar de ter nascido 500 anos atrás, norteou muitos dos avanços tecnológicos que conhecemos hoje. É uma pena que a sua frase sobre os animais ainda não tenha norteado a consciência daqueles que organizam, lucram, ou vivem às custas do rodeio. O autor da frase chama-se Leonardo Da Vinci.