Na noite de domingo do dia 08 de novembro de 2009 foi apresentando por Gugu em seu programa pela Rede Record mais um quadro daqueles de puro sensacionalismo. A história, que abriu o programa, tratava-se de uma mulher que devido à obesidade mórbida não saia de casa a quatro meses. Ela também estava sem ver à mãe pelo mesmo período. A idade avançada de sua genitora a impede de sair de casa que mora ao lado da filha.
Como é de se esperar nesse tipo de programa, foram muitas horas de enrolação até que chegasse o momento do transporte da mulher obesa até a clínica onde passaria por tratamento adequado. Sempre nesse tipo de programa, acho que existem duas questões importantes a serem colocadas.
A primeira é que realmente devemos parabenizar a mídia televisa por essa ação social que está sendo realizada, papel que o nosso governo deixa desejar. A segunda vem em forma de pergunta: Qual o real significado deste “circo dos horrores” se não a disputa por audiência? Se alguém do SBT, da Record ou da Rede Globo quer ajudar uma pessoa, ótimo. Separe a verba necessária, entregue para a instituição ou pessoa necessitada e fim de papo. Se quiser pode até fazer uma menção do ocorrido num desses programas dominicais.
É de doer na alma ouvir coisas do tipo “o povo está aqui acompanhando”, ou “os moradores estão sensibilizados com a história dessa mulher” sendo que, na verdade, as centenas de pessoas que acompanhavam o fato reuniram-se ali única e exclusivamente devido à presença de Gugu Liberato. Sem a sua presença, gostaria de saber quantos vizinhos passaram por ali, ofereceram ajuda financeira ou apoio moral à família.
E quanto aos sentimentos da mulher que foi transportada? É óbvio que, devido ao seu grave problema, o sentimento talvez seja mais de agradecimento a Gugu Liberato. Mas, ficar posando de “atração principal deste circo” talvez tenha momentos de angústia, solidão e por que não dizer até de raiva.
Em resumo: Não existe nenhum problema se a TV quer ajudar alguém e fazer ações filantrópicas. Mas qual o motivo de tanto estardalhaço? Será que não há caminhos mais inteligentes e saudáveis para conquistar a audiência?
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Qual o país que queremos?
Em países como Japão, Alemanha e Estados Unidos, há muito tempo se estabeleceu como mola propulsora do crescimento da nação o investimento em educação. Na prática, o que isso significa? Significa que nesses países é regra investir no conhecimento cada vez mais apurado sobre um determinado tema. Essa é a chave para o país dominar tecnologias, descobrir novos mercados, encontrar respostas desenvolvendo patentes, entre outros benefícios. No Brasil, entretanto, ainda caminhamos para reconhecer o que isso significa, de fato. Nós, em geral, somos contra o avanço da automação industrial e da mecanização, transformamos nossa educação em mercado lucrativo para as escolas particulares e, mais recentemente, passamos a apoiar os catadores de materiais recicláveis nas ruas como profissão. Está tudo errado. Não deveríamos ser contra a máquina que aperta parafusos, deveríamos fazer como o Japão que dá condições para que seus estudantes projetem a máquina que vai fazer esse serviço. Não deveríamos deixar que o ensino de qualidade fique apenas nas mãos de uma minoria que pode pagar. Deveríamos lutar pela democratização do ensino de qualidade. Não deveríamos sustentar, por meio de dinheiro público, a permanência do catador nas ruas. Não se constrói um país do futuro mantendo pessoas revirando sacos de lixo pelas ruas. Elas deveriam estar, no mínimo, alfabetizadas e longe de uma atividade insálubre. Só se constrói desenvolvimento, desenvolvendo pessoas.
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