segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sensacionalismo: uma faca de dois gumes

Na noite de domingo do dia 08 de novembro de 2009 foi apresentando por Gugu em seu programa pela Rede Record mais um quadro daqueles de puro sensacionalismo. A história, que abriu o programa, tratava-se de uma mulher que devido à obesidade mórbida não saia de casa a quatro meses. Ela também estava sem ver à mãe pelo mesmo período. A idade avançada de sua genitora a impede de sair de casa que mora ao lado da filha.
Como é de se esperar nesse tipo de programa, foram muitas horas de enrolação até que chegasse o momento do transporte da mulher obesa até a clínica onde passaria por tratamento adequado. Sempre nesse tipo de programa, acho que existem duas questões importantes a serem colocadas.
A primeira é que realmente devemos parabenizar a mídia televisa por essa ação social que está sendo realizada, papel que o nosso governo deixa desejar. A segunda vem em forma de pergunta: Qual o real significado deste “circo dos horrores” se não a disputa por audiência? Se alguém do SBT, da Record ou da Rede Globo quer ajudar uma pessoa, ótimo. Separe a verba necessária, entregue para a instituição ou pessoa necessitada e fim de papo. Se quiser pode até fazer uma menção do ocorrido num desses programas dominicais.
É de doer na alma ouvir coisas do tipo “o povo está aqui acompanhando”, ou “os moradores estão sensibilizados com a história dessa mulher” sendo que, na verdade, as centenas de pessoas que acompanhavam o fato reuniram-se ali única e exclusivamente devido à presença de Gugu Liberato. Sem a sua presença, gostaria de saber quantos vizinhos passaram por ali, ofereceram ajuda financeira ou apoio moral à família.
E quanto aos sentimentos da mulher que foi transportada? É óbvio que, devido ao seu grave problema, o sentimento talvez seja mais de agradecimento a Gugu Liberato. Mas, ficar posando de “atração principal deste circo” talvez tenha momentos de angústia, solidão e por que não dizer até de raiva.
Em resumo: Não existe nenhum problema se a TV quer ajudar alguém e fazer ações filantrópicas. Mas qual o motivo de tanto estardalhaço? Será que não há caminhos mais inteligentes e saudáveis para conquistar a audiência?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Qual o país que queremos?

Em países como Japão, Alemanha e Estados Unidos, há muito tempo se estabeleceu como mola propulsora do crescimento da nação o investimento em educação. Na prática, o que isso significa? Significa que nesses países é regra investir no conhecimento cada vez mais apurado sobre um determinado tema. Essa é a chave para o país dominar tecnologias, descobrir novos mercados, encontrar respostas desenvolvendo patentes, entre outros benefícios. No Brasil, entretanto, ainda caminhamos para reconhecer o que isso significa, de fato. Nós, em geral, somos contra o avanço da automação industrial e da mecanização, transformamos nossa educação em mercado lucrativo para as escolas particulares e, mais recentemente, passamos a apoiar os catadores de materiais recicláveis nas ruas como profissão. Está tudo errado. Não deveríamos ser contra a máquina que aperta parafusos, deveríamos fazer como o Japão que dá condições para que seus estudantes projetem a máquina que vai fazer esse serviço. Não deveríamos deixar que o ensino de qualidade fique apenas nas mãos de uma minoria que pode pagar. Deveríamos lutar pela democratização do ensino de qualidade. Não deveríamos sustentar, por meio de dinheiro público, a permanência do catador nas ruas. Não se constrói um país do futuro mantendo pessoas revirando sacos de lixo pelas ruas. Elas deveriam estar, no mínimo, alfabetizadas e longe de uma atividade insálubre. Só se constrói desenvolvimento, desenvolvendo pessoas.