sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Qual o país que queremos?
Em países como Japão, Alemanha e Estados Unidos, há muito tempo se estabeleceu como mola propulsora do crescimento da nação o investimento em educação. Na prática, o que isso significa? Significa que nesses países é regra investir no conhecimento cada vez mais apurado sobre um determinado tema. Essa é a chave para o país dominar tecnologias, descobrir novos mercados, encontrar respostas desenvolvendo patentes, entre outros benefícios. No Brasil, entretanto, ainda caminhamos para reconhecer o que isso significa, de fato. Nós, em geral, somos contra o avanço da automação industrial e da mecanização, transformamos nossa educação em mercado lucrativo para as escolas particulares e, mais recentemente, passamos a apoiar os catadores de materiais recicláveis nas ruas como profissão. Está tudo errado. Não deveríamos ser contra a máquina que aperta parafusos, deveríamos fazer como o Japão que dá condições para que seus estudantes projetem a máquina que vai fazer esse serviço. Não deveríamos deixar que o ensino de qualidade fique apenas nas mãos de uma minoria que pode pagar. Deveríamos lutar pela democratização do ensino de qualidade. Não deveríamos sustentar, por meio de dinheiro público, a permanência do catador nas ruas. Não se constrói um país do futuro mantendo pessoas revirando sacos de lixo pelas ruas. Elas deveriam estar, no mínimo, alfabetizadas e longe de uma atividade insálubre. Só se constrói desenvolvimento, desenvolvendo pessoas.
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É Sergio Vieria... a coisa é feia mesmo.
ResponderExcluirSempre tive a mesma idéia que você, de que o progresso, tanto individual como coletivo, só vem acompanhado da educação.
Este ano, porém, me vi diante de um outro lado que não acreditava ser possível. Na escola onde leciono são oferecidos diversos cursos pagos na área de informática, os quais são sempre muito bem elogiados por praticamente todos os alunos. Este ano, porém, assumi uma turma que faz parte de um convênio que a escola fez com o governo do Estado que visa dar condições ao desempregado para se qualificar e retornar ao mercado de trabalho. Trata-se de um curso gratuito, em que o participante ainda recebe uma bolsa auxílio, lanche, vale-transporte, entre outros benefícios. Fiquei estarrecido ao ver a quantidade de reclamações infundadas que a escola e o Governo vem recebendo, reclamações sobre o lanche (que vem de uma empresa especializada e que eu mesmo gostaria de ter direito pois é muito bom), do materal didático (que posso dizer que é de muito boa qualidade, tanto em termos de conteúdo como de impressão, pois também já fui editor), do conteúdo do curso (que tem quatro vezes a carga horária do curso pago e que vai muito além da informática), dos professores, das atendentes, dos seguranças, dos agentes de treinamento, enfim, de qualquer coisa. São muito poucos os que estão realmente aproveitando esta oportunidade valiosa de se qualificar. A maior parte só quer saber mesmo de reclamar.
Descobri que outras instituições de peso dão oportunidades como esta, com ou sem apoio do governo e que também sofrem este tipo de problema.
A verdade, Sérgio Vieira, é que a maioria do nosso povo pensa pequeno. E enquanto continuar pensando pequeno não há Governo que resolva. Pois descobri que as oportunidades existem. Mas é mais fácil continuar reclamando da desgraça e das coisas que não caem do céu do que arregaçar as mangas e construir um novo futuro para o país.